Não deixar para trás o diagnóstico de cancro

O impacto da pandemia fez-se sentir a vários níveis. Afetou a economia, o trabalho e afetou sobretudo a saúde, a de quem foi diagnosticado com Covid-19 e a dos que, não tendo sofrido diretamente com a doença, sentiram os seus efeitos através da dificuldade de acesso aos cuidados de saúde. Os dados das autoridades de saúde nacionais confirmam que se fizeram menos consultas, menos diagnósticos e menos tratamentos, o que terá consequências futuras.(1) “O coronavírus trouxe sofrimento a todos os sistemas de saúde, mas teve sobretudo um profundo impacto nas pessoas anteriormente afetadas por outras doenças, como o cancro”, lê-se numa carta conjunta, assinada por mais de 290 organizações internacionais, nacionais e regionais da área oncológica e partilhada no Dia Mundial da Saúde pela Coligação Europeia de Doentes com Cancro. (2)

O documento, distribuído junto dos legisladores de todo o mundo, enfatiza os “resultados graves no diagnóstico e tratamento de pessoas com cancro, atuais e futuros, consequentes da interrupção do rastreio e do atraso no tratamento” e apela à criação de garantias, para “que os doentes possam ter acesso ao diagnóstico e tratamento com segurança”. (2)

No caso do cancro, o diagnóstico precoce permite uma maior possibilidade de tratamento curativo e sobrevivência a longo prazo. Isto porque, nas fases iniciais da doença, os tratamentos a realizar são mais simples, o que os torna melhor tolerados pelos doentes, colocando-os, por norma, numa posição mais favorável. (3)

O diagnóstico precoce pode fazer a diferença em tumores como o da mama, onde o rastreio, feito com base na realização periódica de exames mamários em mulheres sem sintomas, permite detetar casos nas fases mais precoces, aumentando a possibilidade de cura (4); ou o cancro da próstata, cujos exames regulares em homens permitem fazer o mesmo (5).

Mas ainda que, como é o caso do cancro do ovário, não exista rastreio disponível, a ida regular ao médico é fundamental, sobretudo em tempos de pandemia, que afastaram tantos portugueses das consultas de rotina. Nestes casos, além de estarem atentas ao seu corpo, as mulheres devem retomar as consultas regulares de Ginecologia e Medicina Geral e Familiar, que podem ajudar a fazer uma deteção mais precoce, com reflexos no prognóstico. (3)

Referências:

(1) Tribunal de Contas – COVID-19 – Impacto na atividade e no acesso ao SNS (Relatório nº 5/2020 – OAC 2.ª secção). Disponível em: https://www.tcontas.pt/pt-pt/ProdutosTC/Relatorios/relatorios-oac/Documents/2020/relatorio-oac-2020-05.pdf, consultado em maio de 2021;

(2) European Cancer Patient Coalition – Joint letter on COVID-19 and cancer. Disponível em: https://ecpc.org/wp-content/uploads/2021/04/Joint-letter-on-COVID19-and-cancer.pdf, consultado em maio de 2021;

(3) Guia as mutações BRCA e o cancro, News Engage, 2019  – Capítulo “A importância do diagnóstico atempado” da autoria da Dra Cristina Frutuoso;

(4) Guia as mutações BRCA e o cancro, News Engage, 2019 – Capítulo “Patologia do cancro da mama – Sintomas, incidência e fatores de risco” da autoria da Dra Margarida Brito;

(5) American Cancer Society. Disponível em https://www.cancer.org/cancer/prostate-cancer/detection-diagnosis-staging/detection.html. Consultado em maio de 2021.

PT-9534 aprovado em maio de 2021.