Incidência

O cancro do ovário não é um tumor frequente, constituindo cerca de 2% de todos os cancros. 

Portugal apresenta uma das taxas de incidência mais baixa da Europa, sendo em 2010 de 8,8/100 000 habitantes registando-se nesse mesmo ano 489 novos casos, essencialmente na mulher pós-menopáusica na 5ª, 6ª e 7ª décadas de vida.

Apesar de pouco prevalente, associa-se a uma alta taxa de mortalidade sendo a 8ª causa de morte por cancro na mulher em todo o mundo, com 412 óbitos em Portugal em 2018 e uma sobrevivência global aos 5 anos que não atinge os 50%.

Referência: Guia as mutações BRCA e o cancro, News Engage, 2019  – Capítulo “Patologia do cancro do ovário – Sintomas, incidência e fatores de risco” da autoria do Prof. Doutor Miguel Abreu

Sintomas

Os sintomas associados ao cancro do ovário são, na sua maioria, inespecíficos, atrasando, por isso, o diagnóstico. Nas fases iniciais da doença não é raro não existirem quaisquer sintomas.

Na maioria das situações, principalmente nas fases avançadas, os sintomas mais frequentemente referidos pelas doentes são a sensação de peso e/ou dor pélvica associados, ou não, a aumento do volume abdominal, sensação de enfartamento após as refeições, enjoo ou vómitos e queixas urinárias como urgência na micção. Perdas de sangue ou alterações do ciclo menstrual são pouco frequentes.

Referência: Guia as mutações BRCA e o cancro, News Engage, 2019  – Capítulo “Patologia do cancro do ovário – Sintomas, incidência e fatores de risco” da autoria do Prof. Doutor Miguel Abreu

Fatores de risco

Os fatores de risco bem estabelecidos para cancro do ovário englobam fatores não modificáveis sendo alguns específicos de determinados tipos de tumor. De uma forma geral, os mais importantes são:

Idade: a incidência aumenta com a idade sendo um tumor mais frequentemente diagnosticado na mulher pós-menopaúsica;

História familiar: as mulheres com familiares em 1º grau com cancro do ovário têm um risco três vezes maior de desenvolver a doença, sendo este ainda superior se o familiar tiver o diagnóstico com menos de 50 anos;

Predisposição genética: as síndromes genéticas são responsáveis por 5-10% dos cancros do ovário, sendo os mais comuns, a síndrome hereditária do cancro da mama/ovário (associada a mutação dos genes BRCA1 ou 2) e a síndrome de Lynch. A mulher portadora de mutação BRCA1 apresenta um risco entre os 40-50% de ter cancro do ovário antes dos 70 anos ao passo que se for portadora de mutação BRCA2 apresenta um risco de 10-20%

Fatores ambientais: consumo de tabaco, aumenta o risco em 30-50% de um tipo específico de cancro do ovário. Este efeito é tanto maior quanto mais prolongado for o consumo.

Adicionalmente, existem fatores reprodutivos e endócrinos que:

  • Aumentam o risco de desenvolver este tumor, como:
  • Nuliparidade (não ter filhos). Os abortamentos não se associam a um maior risco de cancro do ovário enquanto que, cada nascimento, reduz o risco entre 10-20%;
  • Endometriose, sendo uma das causas de infertilidade, aumenta 2-3 vezes o risco;
  • Menopausa tardia (>52 anos). Por cada 5 anos de atraso na menopausa há um aumento de risco para este cancro em 6%;
  • – Uso de terapêutica hormonal de substituição. O risco aumenta 40%, mesmo após a suspensão desta terapêutica, mantendo-se elevado pelo menos por mais 5 anos, nas doentes que a fizeram por 5 ou mais anos. 

Diminuem o risco de desenvolver este tumor: 

  • Uso de contracetivos orais. O risco diminuiu 30%. Este efeito protetor parece ser tanto maior quanto mais prolongado for o uso. 
  • Laqueação das trompas, com reduções de risco entre 20-30%, que persistem até 30 anos após a cirurgia.

Existem outros fatores cuja associação com este cancro ainda é controversa. Exemplos destes são: a amamentação, os tratamentos para a infertilidade, a síndrome do ovário poliquístico, a diabetes, a obesidade, o uso de anti-inflamatórios e o consumo de álcool.

Referência: Guia as mutações BRCA e o cancro, News Engage, 2019  – Capítulo “Patologia do cancro do ovário – Sintomas, incidência e fatores de risco” da autoria do Prof. Doutor Miguel Abreu

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Quando procurar o médico

Não existe um teste de rastreio estabelecido para o cancro do ovário. Por essa razão, a maioria das doenças em fases iniciais é detetada em exame ginecológico de rotina ou durante um exame radiológico realizado por outro motivo. Nas fases de doença já avançada, o crescimento do tumor provoca sintomatologia que persiste e que se agrava progressivamente. Em todas as mulheres consideradas de maior risco (de acordo com os fatores listados ao lado) recomenda-se a avaliação ginecológica regular e quando surge sintomatologia que é persistente deve-se procurar um médico.
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Referência: Guia as mutações BRCA e o cancro, News Engage, 2019  – Capítulo “Patologia do cancro do ovário – Sintomas, incidência e fatores de risco” da autoria do Prof. Doutor Miguel Abreu

PT-6771  aprovado a 07.05.2020