O diagnóstico precoce está habitualmente associado a melhor prognóstico e a maior taxa de cura, qualquer que seja o tumor maligno.

Na fase inicial da doença maligna, os procedimentos cirúrgicos necessários e frequentemente também os tratamentos sistémicos, como a quimioterapia, são mais simples e, por isso, melhor tolerados pela doente.

No entanto, a biologia de cada tumor, isto é, as características que condicionam o seu comportamento natural, bem como as terapêuticas disponíveis, são igualmente determinantes do prognóstico da doença. Não podemos também esquecer, que cada mulher, cada doente é um caso, com especificidades próprias. 

Assim, tumores avançados, com uma biologia tumoral favorável ou com vasto arsenal terapêutico disponível, podem ter melhor prognóstico do que um tumor inicial, com biologia desfavorável ou inexistência de terapêutico alvo, isto é, de fármacos dirigidos a uma característica específica do tumor.

Com a ressalva exposta, o diagnóstico precoce dum tumor maligno coloca sempre o doente numa posição mais favorável. A probabilidade de diagnosticar precocemente é maior no cancro da mama do que no cancro do ovário. O cancro da mama é frequentemente detetado pela doente, sobretudo pela mulher mais jovem, ainda não integrada em programa de rastreio. Por outro lado, há os programas de rastreio, de base nacional ou “oportunista”, que permitem o diagnóstico antes da manifestação clinica. 

O cancro do ovário é conhecido pelo silent killer e não há programas validados de rastreio. A forma de apresentação do tumor é muito inespecífica e por vezes nem o médico valoriza as queixas. É preciso ter essa hipótese em mente!

Assim, a mulher tem de estar atenta ao seu corpo, palpar a sua mama de forma regular, dar conta dum sinal ou sintoma que persiste e procurar o seu médico. Fazer consulta regular de ginecologia e de medicina familiar e cumprir as recomendações de rastreio existentes.

Como o cancro do ovário se diagnostica frequentemente numa fase avançada, a única hipótese de sucesso consiste em tratar bem esta doença avançada e para isso é fundamental a referenciação, isto é, a concentração destas doentes nos centros com idoneidade. 

Como mensagem final, referir ainda a importância que fazer a pesquisa de mutações genéticas nos casos de cancro do ovário e nalguns tipos de cancro da mama, com ou sem contexto familiar. Com este estudo, podemos adequar atitudes terapêuticas e profiláticas na mulher doente e implementar medidas profiláticas nos familiares, se portadores de mutação.

Referência: Guia as mutações BRCA e o cancro, News Engage, 2019  – Capítulo “A importância do diagnóstico atempado” da autoria da Dra Cristina Frutuoso

PT-6773  aprovado a 07.05.2020